Transparência
Sobre os dados
O Radar das Estatais é um projeto independente. Não tem vínculo com o governo federal nem com as empresas acompanhadas e não tem função oficial. Os números são coletados automaticamente das bases públicas oficiais e publicados como as fontes os divulgam, sem conferência manual. Se uma fonte publicar um número errado, ele aparecerá errado aqui também. Para qualquer uso oficial, consulte o documento original, indicado em cada ficha.
Quais empresas
As 44 empresas que a União controla diretamente, segundo a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST/MGI): empresas públicas e sociedades de economia mista, dependentes ou não do Tesouro Nacional. A classificação por segmento, dependência e natureza jurídica é a da própria SEST.
De onde vêm os números
| Dado | Fonte | Período |
|---|---|---|
| Contas (lucro, receita, ativo, patrimônio, caixa, subvenção, aporte, dividendos, despesas) | SEST/MGI, dados abertos “Dados Financeiros”: demonstrações lançadas pelas empresas no sistema Siest | 2016 a 2025 |
| Lucro das empresas com ações na bolsa (comparação) | CVM, demonstrações financeiras padronizadas (DFP) | 2016 a 2025 |
| Investimento orçado e realizado | SEST/MGI, Orçamento de Investimentos | 2016 a 2025 |
| Empregados | SEST/MGI, boletim trimestral | 2024 e 2025 |
| Dirigentes e conselheiros | SEST/MGI, cadastro de dirigentes e conselheiros | Atual e histórico |
| Explicações das empresas | Documentos entregues à CVM (releases e relatórios da administração) | Petrobras, 2021 a 2025 |
| Brent, câmbio e IPCA | Banco Mundial e Banco Central | 2016 a 2025 |
| Resultado primário das estatais federais | Banco Central, SGS (necessidades de financiamento do setor público) | 2016 a 2025 |
| Totais oficiais (para conciliação) | MGI/SEST, Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais 2026 | 2025 |
| Comparação independente e explicações dos Correios | Senado Federal, Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 114 (julho de 2026) | 2016 a 2025 |
| Dividendos recebidos pela União | Tesouro Nacional, Siconfi, contas anuais da União | 2025 |
| Entregas físicas (hospitais, atendimentos, produção) | MGI/SEST, Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais 2026 | 2025 |
| Comparação entre bancos | Banco Central, IF.data, conglomerado prudencial | Último semestre |
A coleta roda toda semana. Última coleta: 04/11/2026.
Lucro
O indicador principal é o lucro ou prejuízo líquido contábil do exercício, atribuível aos acionistas da controladora: é o número que as empresas divulgam e o que interessa à União, que é acionista da controladora. Em empresas com controladas (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e BNDES), a ficha mostra também o lucro do grupo com a parte dos sócios minoritários. O lucro “ajustado” ou “sem eventos exclusivos” aparece só quando a própria empresa o divulga, sempre identificado como classificação dela.
Para empresas dependentes do Tesouro, o lucro não é o número central: a ficha destaca quanto a empresa recebe e quanto gasta.
Indicadores calculados
- Margem líquida = lucro ÷ receita líquida. Margem de caixa = caixa das operações ÷ receita.
- ROA = lucro ÷ média do ativo no início e no fim do ano. ROE = lucro ÷ média do patrimônio líquido da controladora; não é calculado quando o patrimônio é negativo ou muito pequeno.
- Gastos operacionais = receita líquida − resultado antes do resultado financeiro. A variação real desconta o IPCA.
- Recursos do Tesouro = subvenção + aporte de capital (AFAC), como define a SEST. Dividendos destinados à União aparecem separados, sem subtração: são de naturezas e datas diferentes.
- Execução do investimento = realizado ÷ orçado (inicial e vigente), só para empresas não dependentes.
Margens não são calculadas para bancos, cuja receita tem outra natureza, nem para empresas dependentes, cuja receita própria é pequena diante do que recebem. Nesses casos aparece “n/a”.
Como cada número é conferido
Como a publicação é automática, cada coleta roda uma auditoria e publica o resultado na página Qualidade dos dados:
- Conciliação com os totais oficiais. A soma do Radar é comparada ao total que o governo publica (lucro, investimento, dividendos, receita e recursos do Tesouro), com uma ponte que mostra empresas sem dado, diferença de perímetro (grupo ou controladora), diferença de critério (destinado ou pago) e o resíduo que sobra.
- Nível de qualidade de cada número. Validado com fonte independente: confere com a CVM. Conferido com outra publicação oficial: confere com o Senado Federal, que usa a mesma base da SEST (confirma a extração, não a fonte). Divergente: difere de outra fonte além do arredondamento. Apenas fonte primária: não há outra fonte para comparar. Nas fichas, um ponto ao lado do número indica o nível.
- Cobertura. Quantas empresas têm dado em cada indicador e exercício, e quais faltam.
- Revisões. Todo número que muda de uma coleta para outra fica registrado, com valor anterior e novo.
- Registro da coleta. Arquivos baixados, linhas e código de integridade (SHA-256) dos documentos arquivados. O código do Radar tem testes automáticos que rodam a cada mudança.
Três perguntas diferentes
O panorama separa três perspectivas, porque cada uma responde a uma pergunta e nenhuma substitui as outras:
- Empresarial: a empresa teve lucro, gerou caixa, investiu, tem patrimônio positivo? Vem dos balanços, pelo regime de competência.
- Relação com o controlador: quanto a empresa recebeu do Tesouro (subvenções, aportes de capital) e quanto devolveu em dividendos e juros sobre capital próprio?
- Fiscal: qual foi o resultado primário no recorte das contas públicas calculado pelo Banco Central? Mede o saldo fiscal das operações não financeiras do período. Inclui efeitos de investimentos e não equivale a lucro ou prejuízo contábil.
Uma empresa lucrativa pode ter déficit primário no mesmo ano: a compra de um equipamento sai do caixa de uma vez, mas entra no resultado contábil aos poucos, pela depreciação. O argumento vale nos dois sentidos: déficit primário não prova má gestão, e dizer que ele vem de investimento não prova que o investimento é bom. Por isso o Radar não diz “as estatais deram prejuízo” a partir do primário, nem “as estatais estão mal administradas” a partir de qualquer um dos três números sozinho. Afirmações fiscais, contábeis e de gestão são tratadas como coisas distintas.
O universo também muda: o recorte do Banco Central exclui os grupos Petrobras e Eletrobras e os bancos públicos, e por isso o primário não é comparável à soma dos lucros de todas as estatais do Radar. O cartão fiscal mostra sempre o número do Banco Central inteiro e não responde aos filtros da página.
Diagnóstico econômico-financeiro
Cada ficha começa com três perguntas: a empresa é economicamente sustentável? A operação gera ou consome caixa? Os investimentos e os serviços entregues justificam os recursos? As respostas saem de regras fixas, iguais para todas as empresas: patrimônio líquido negativo ou dois anos seguidos de prejuízo dão “desfavorável” na primeira; caixa das operações negativo dá “desfavorável” na segunda (nas dependentes, conta-se a subvenção junto); execução abaixo de 50% do orçamento inicial de investimento dá “atenção” na terceira. Em bancos, o caixa das operações não mede geração de caixa e fica sem resposta. A terceira pergunta só terá resposta completa quando o Radar tiver indicadores de serviços entregues, e diz isso. Ao lado, a formação do resultado mostra a demonstração do resultado resumida, da receita ao resultado líquido. O diagnóstico descreve indicadores e não atribui responsabilidade a gestores.
A dívida (empréstimos, financiamentos e debêntures) e a liquidez corrente vêm do balanço publicado na SEST. A dívida com garantia da União não é separada pela SEST; o Radar registra as operações divulgadas publicamente, com a fonte, e as mostra fora dos recursos do Tesouro, porque são exposição contingente, não transferência. Quando a SEST e a CVM ainda não trazem o último trimestre que a empresa já divulgou, o Radar registra o resultado divulgado, identificado como “divulgação da própria empresa”.
De onde vem cada número, e em que versão
Além dos indicadores, o Radar guarda as demonstrações completas publicadas na SEST, rubrica a rubrica, e, para as empresas em análise aprofundada, as demonstrações e notas explicativas da própria empresa. Cada valor extraído de um documento da empresa traz o documento, a página, a nota, o nome original da rubrica, a conta a que pertence, se é fluxo ou saldo e se é o valor original, comparativo ou reapresentado. A extração é feita por especificação (um arquivo diz qual linha de qual página ler) e o PDF original fica arquivado com o seu código de verificação, para que a análise possa ser refeita.
Antes de publicar, o Radar confere as somas: receita mais custo igual a lucro bruto, os grupos operacionais até o resultado antes do financeiro, o resultado financeiro e os tributos até o resultado líquido, ativo igual a passivo mais patrimônio, o fluxo de caixa até a variação do caixa e as parcelas de cada nota até o total. A tolerância é de R$ 1 milhão ou 0,1% do maior termo. Se uma soma não fecha, o diagnóstico e a ponte daquele ano ficam suspensos.
Quando a empresa reapresenta números já publicados, nada é substituído em silêncio: o Radar guarda o valor como publicado e cada reapresentação, com o documento, a nota e o motivo. A ficha usa a versão mais recente, marcada, e permite ver a publicada. A ponte entre dois anos usa sempre a mesma versão das contas.
As afirmações da ficha são classificadas: dado do demonstrativo, explicação da administração, análise externa identificada (com o autor, como a Instituição Fiscal Independente do Senado), cálculo do Radar e hipótese pendente, que aguarda documento ou esclarecimento. A ponte do resultado é aritmética: mostra onde a variação aparece nas contas, não prova a causa econômica nem atribui responsabilidade.
Lucro contábil e resultado primário
São medidas diferentes e aparecem em séries separadas. O lucro contábil segue o regime de competência e inclui depreciação, provisões e resultado financeiro. O resultado primário, calculado pelo Banco Central, é fiscal: receitas menos despesas não financeiras, pelo caixa. O Banco Central cobre só as estatais federais não dependentes, sem os bancos e sem os grupos Petrobras e Eletrobras; as dependentes entram no resultado do governo central.
Inflação
Os valores são publicados em reais de cada ano, como as fontes divulgam. Nas fichas e na lista há a opção “em reais de 2025”, que corrige cada ano pelo IPCA acumulado até dezembro de 2025. Percentuais e indicadores calculados não mudam com a correção.
Entregas e empresas dependentes
Quando há fonte oficial, a ficha mostra o que a empresa entrega (atendimentos, produção, carga movimentada) ao lado dos números financeiros. O gasto por unidade é uma média simples (gastos operacionais ÷ quantidade entregue) e não é o custo de um serviço específico. Em empresas dependentes, o caixa das operações costuma ser negativo porque a subvenção do Tesouro fica fora dele; a ficha mostra também a soma das duas, como faz o Senado Federal.
Limites
- Valores nominais, em reais de cada ano, salvo indicação de correção pelo IPCA.
- Em 2025 a SEST mudou o plano de contas e passou a receber dados trimestrais. Os gráficos marcam essa mudança; compare 2025 com os anos anteriores com cautela.
- Traço (—) significa que a fonte não publicou o dado. Falta de dado nunca vira zero.
- As explicações de resultado são as da própria empresa, resumidas com a página de origem. Quando a empresa não publica explicação em documento à CVM (caso dos Correios), o Radar usa a análise de um órgão oficial, identificado como autor. O Radar não estima quanto do lucro veio de cada fator.
- Nome, cargo e mandato de dirigentes não bastam para avaliar qualificação ou desempenho. Publicamos apenas dados funcionais que a SEST já torna públicos.
- O Radar não recomenda investimentos, não atribui nota a empresas ou gestores e não defende privatização nem estatização.
Correções
Encontrou um número diferente do documento original? Avise: corrigimos a coleta e registramos a mudança.
Privacidade
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